Virou moda entre a esquerda lacradora dizer que o show de horrores protagonizado pelos militantes da “justiça social” no BBB “não representa a militância”, que estão atuando “em causa própria individual e não pelo coletivo” ou até que “a Globo está sabotando a causa negra” rs.

Entretanto, quem conhece minimamente uma universidade estatal sabe o programa simplesmente mostra a realidade do lacre pelo país. Um exemplo de como a cultura da “justiça social” e do “cancelamento” é uma loucura fadada à auto-implosão é uma nota de esclarecimento emitida pelo Centro Acadêmico do curso de Letras da USP (um dos mais esquerdistas do país), em 2014, sobre os acontecimentos numa festa chamada “Letras Horror Show”.

Reproduzimos o documento na íntegra. Prepare-se para rir:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários – Oswald de Andrade
(CAELL) vem, por meio desta nota, tornar conhecidos os fatos ocorridos durante a festa LETRAS HORROR SHOW realizada no dia 31/10/2014, que dizem respeito às denúncias de transfobia feitas pelo coletivo Transa USP à atual gestão do CA.

Durante a festa – que era à fantasia – três membros gays do Centro Acadêmico
estavam fantasiados de Sailor Moon (personagens femininas de um desenho animado japonês), e foram abordados por dois membros do coletivo Transa, que exigiram que eles tirassem as fantasias ali mesmo no meio da festa, na barraca de cerveja (que contava com os três membros em questão e mais uma mulher do CA, que foi embora logo após o acontecido, assustada), alegando que estariam debochando da condição de mulheres trans. Os três o fizeram, tendo que sair só de cuecas pela festa para trocar de roupa dentro do prédio.

Mesmo após os membros do CA terem tirado as fantasias e esclarecimentos terem sido feitos, a hostilidade continuou, tendo culminado em uma das pessoas do Coletivo avançando para cima dos membros do CA com um guarda-chuva. Ao ver o que estava acontecendo, um dos seguranças contratados para a festa foi intervir e foi interrompido por uma membra do CA, que se colocou na frente e disse que aquele assunto seria tratado pelas mulheres que estavam organizando a festa.

Depois de horas de discussão e desgaste de todas as mulheres da gestão do CA que estavam presentes, os membros do coletivo Transa exigiram que, por volta das duas da manhã, fosse feita uma fala, essencialmente por uma mulher da gestão, acabando com a festa e assumindo que o Centro Acadêmico e todos ali presentes eram transfóbicos, machistas e homofóbicos.

Após nos recusarmos a encerrarmos a festa no meio da noite, afinal, as cerca de mil pessoas que estavam ali não teriam para onde ir naquele horário e, para além disso, não enxergarmos cabimento em uma mulher fazer uma fala dizendo que é conivente com machismo, o Coletivo chamou a PM para o espaço da festa, exigindo que diretoras do CA fossem imediatamente à delegacia prestar depoimento e entregar os dados do segurança para que fosse feito um boletim de ocorrência.

Não hesitamos em recusar a entregar um homem negro à Polícia Militar, ainda mais quando um dos maiores acúmulos do Movimento como um todo é justamente o “Fora PM!”. Duas diretoras do CA tiveram que ir conversar com os policiais e, quando se aproximaram das viaturas, um membro do Coletivo Transa disse “foram essas mulherzinhas que o CAELL mandou pra cá?”. Rechaçamos veementemente a reação machista e, principalmente, a exposição de mulheres à Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Após a PM ter ido embora, uma diretora do CAELL estava dentro do caixa e foi tirada de lá quase que à força por uma membra do Coletivo Transa, que exigia mais explicações sobre não termos ido à delegacia fazer o B.O.

Nós, da atual gestão do CAELL, achamos essa sequência de medidas incabíveis, porém nos esforçamos em fazer o máximo possível para que a situação se resolvesse, sem ter que expor as mulheres da gestão e nem entregar um cidadão já marginalizado para a Polícia. No entanto, continuamos recebendo falsas denúncias de que fomos transfóbicos e coniventes com uma violência física que não aconteceu. Nós sentimos muito se as medidas tomadas não foram o suficiente para os membros do Transa, porém achamos um absurdo a postura de coagir uma mulher a se declarar machista e transfóbica em um microfone.

Mais de uma vez nos colocamos à disposição do Coletivo Transa USP para uma conversa e resolução dos ocorridos na madrugada daquela festa, mas nenhuma vez fomos procurados para isso.

Continuaremos articulando nossas comissões de segurança para que casos de opressão e violência contra mulheres e LGBTs sejam apurados e resolvidos em nossas festas, pois só com a organização das e dos marginalizados é que conseguiremos expulsar cada vez mais agressores de nossos espaços.

Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários “Oswald de Andrade”
CAELL – USP
Gestão Ruído Rosa – 2015

3 comments
  1. Não consigo parar de rir. Os lacradores acéfalos e fascistas no sentido literal da palavra são hilários… Será que essas amebas discutem com tanta paixão as matérias das disciplinas em que estão matriculados e ocupando cadeiras, pelo visto, à toa e tirando a chance de alguém realmente interessado em ESTUDAR?

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